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Sementes

 

Constituição das Sementes

 Uma semente é constituída pelo tegumento que a envolve, pelo embrião(futura planta) e pelas reservas.

Na maioria das monocotiledóneas - plantas cujas sementes têm um só cotilédone - as reservas encontram-se fora do cotilédone - sementes com albúmen - , enquanto na maioria das dicotiledoneas - plantas cujas sementes têm dois cotilédones - as reservas estão armazenadas nos cotilédones - sementes sem albúmen.

 

Sementes Dicotiledóneas

(Exemplo: o feijão)

Exteriormente, destacam-se: um tegumento bastante espesso, que reveste a semente; o hilo, pequena cicatriz oval deixada pelo pedúnculo, que ligava a semente ao pericarpo(parte que envolve as sementes); o micrópilo - minúsculo orifício situado junto ao hilo, por onde sai a raiz, no decurso da germinação.

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Figura 1 - Feijão

Internamente, observam-se: dois volumosos cotilédones, que armazenam as reservas da semente e os esboços dos futuros órgãos da planta - a radícula(vai corresponder à raiz), o caulículo(vai corresponder ao caule) e a gémula(vai corresponder às folhas).

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Figura 2 - Feijão

 

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Figura 3

Esquema do Feijão(exterior)

 

Sementes Monocotiledóneas

(Exemplo: o milho)

Destacam-se: a parede, constituída pelo pericarpo e pelo tegumento; o albúmen, de cor amarela(milho), mas esbranquiçada no contacto com o embrião; o embrião formado por um cotilédone, que possui duas expansões, as quais revestem a radícula e a gémula.

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Figura 4

Milho

 

Germinação

 Em condições favoráveis, a semente germina, ou seja, o embrião deixa o estado de vida latente e desenvolve-se, originando uma plântula, susceptível de levar uma vida independente.

Os fenómenos morfológicos, que marcam o decurso da germinação de uma semente dicotilédone, podem resumir-se do seguinte modo: 

a semente absorve a água do meio, aumenta de volume e, consequentemente, o tegumento rompe;
a radícula irrompe pelo micrópilo e a raiz alonga-se, na direcção do solo;
o caulículo cresce, em sentido oposto ao da raiz e eleva, acima do solo, os cotilédones - germinação epígea(fig.6)
a gémula desenvolve-se, originando o caule folhoso.

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Figura 6

Germinação epígea

 

À medida que a plântula cresce, os cotilédones vão diminuindo de volume e adquirem uma cor esverdeada. Finalmente, desprendem-se do caule.

No milho, o grão absorve água e intumesce. A radícula irrompe, através da parede do fruto, originando a raiz principal, que aborta, originando-se raízes advêntricas, nascidas da base do caulículo. A gémula desenvolve-se na vertical, sendo posteriormente visíveis as primeiras folhas. O cotilédone permanece abaixo do nível do solo - germinação hipógea(fig.7).

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Figura 7

Germinação hipógea

 

As alterações fisiológicas são marcadas por uma intensa actividade de dois processos opostos: degradação ou digestão das reservas, que são transformadas em substâncias solúveis, difusíveis e "mobilizáveis", e processos de síntese, que conduzem à formação de tecidos constituintes da plântula. Assim, no decurso da germinação, enquanto o peso das reservas vai diminuindo, aumenta o peso dos órgãos derivados do embrião.

O embrião, para se desenvolver, depende totalmente das substâncias de reserva da semente. Estas podem ser glícidos (exemplo: amido), prótidos e lípidos, variando o tipo das mesmas e as suas proporções consoante a espécie. Assim no grão do milho, a principal reserva é o amido; na semente do feijoeiro encontram-se 25 a 40% de proteína, sendo a restante percentagem formada por glícidos, especialmente amido.

A utilização de reservas pressupõe a digestão das mesmas, que é possível graças a enzimas que se encontram inactivas na semente em repouso, mas que retomam a sua actividade com a hidratação da mesma.

 

Factores Condicionantes da Germinação

 São muitos os factores que intervêm na germinação, uns intrínsecos à semente - factores internos - outros dependentes do ambiente - factores externos.

De entre os primeiros, podem destacar-se: 

a maturação da semente(morfológica e fisiológica);
a conservação dos tegumentos;
a inalteração das reservas.

 

De entre os factores externos, salientam-se: 

a água;
a temperatura;
o ar;

 

Podem ainda ter um papel relevante na germinação: a luz e a presença de determinadas espécies vegetais.

 

Para este trabalho apenas será útil o aprofundamento dos casos da água e da luz.

 

Água

 A germinação implica a absorção de água pela semente, que desempenha as seguintes funções: 

provoca a ruptura do tegumento, em consequência do aumento de volume das reservas;
actua nas reacções enzimáticas, que permitem a mobilização das reservas;
transporta as substâncias nutritivas, que alimentam o embrião em desenvolvimento.

 

Luz

 Para a maior parte das semente, a luz não constitui factor decisivo para a germinação. Contudo, existem sementes que só germinam em presença da luz e há outras em que a luz inibe a germinação.

 A presença de determinados vegetais pode condicionar a germinação e o desenvolvimento de determinadas espécies. Assim: 

as sementes de trigo impedem a germinação de sementes de certas ervas daninhas quando se encontram no mesmo ambiente;
73% das sementes de papoila germinam se estiverem em presença de sementes de linho e 22% quando na presença de sementes de trigo;
as sementes de orquídeas só germinam em presença de substâncias químicas segregadas por certos fungos.

 

 
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Última Actualização: Julho 08, 1998