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Fungos

 

Fungos: Os Bolores

Os fungos constituem um grupo de microrganismos que têm grande interesse prático e científico para os microbiologistas. Suas manifestações são familiares: todos já viram os crescimentos azuis e verdes em laranjas, limões e queijos, as colónias cotonosas, brancas ou acinzentadas, no pão e no presunto, os cogumelos dos campos (ou nas prateleiras de armazéns) e os chapéus-de-cobra nas matas. Todas representam vários organismos fúngicos, morfologicamente muito diversificados. De um modo geral, os fungos incluem os bolores e as leveduras. A palavra bolor tem emprego pouco nítido, sendo usada para designar os mofos, as ferrugens e o carvão (doença de gramíneas). Neste capítulo serão considerados os bolores para, no capítulo seguinte, serem estudadas as leveduras.

 

 

Importância dos Fungos

Os fungos são organismos heterotróficos, obtendo a sua alimentação a partir da matéria orgânica inanimada ou nutrindo-se como parasitas de organismos vivos. Como saprófitos, decompõem resíduos complexos de plantas e animais, transformando-se em formas químicas mais simples que retornam ao solo. Tais sustâncias são, então, absorvidas pelas gerações vegetais subsequentes. Desse modo, a actividade fúngica é amplamente responsável pela fertilidade do solo.

O crescimento dos fungos saprófitas, contudo, pode ser prejudicial. O apodrecimento da madeira, dos tecidos, dos alimentos e de certos artigos comerciais e industriais pode ter efeitos adversos sobre a economia humana. No outono de 1972, por exemplo, houve tremenda quantidade de chuvas no meio oeste norte-americano. As plantas foram derrubadas nos campos e os agricultores não puderam colher a safra do milho. A chamada "crise de energia" continuou e o suprimento de gás natural foi cortado, limitando a quantidade de milho que devia ser adequadamente dessecado após a colheita. Como consequência, grande parte da safra foi destruída pelos bolores. Os fungos atacavam as plantas durante seu crescimento e se disseminavam no armazenamento. Houve não somente o apodrecimento do milho, mas a produção de venenos (micotoxinas) pelos fungos, altamente tóxicos e, em alguns casos, carcinogênicos, o que impediu que o milho fosse usado até mesmo para a alimentação de animais. Pode-se apreciar o impacto sobre a economia, calculando-se que, anualmente, 185 milhões de toneladas de milho são cultivadas nos EUA Cerca de 80% desse total vai para a alimentação animal, o restante sendo processado, sob diversas formas, para consumo humano.

Os fungos são, também, importantes nas fermentações industriais, tais como na fabricação da cerveja, do vinho e na produção de antibióticos (exemplo: penicilina), de vitaminas e de ácidos orgânicos (exemplo: ácido cítrico). A fabricação de pães e o amadurecimento de queijos também dependem da actividade saprofítica dos fungos.

Como parasitas, os fungos causam doenças vegetais, humanas e animais, embora a maior parte das micoses seja menos severa que as bacterioses ou as viroses.

Além dos aspectos aplicados do estudo dos fungos (a ciência ou o estudo dos fungos recebe o nome de micologia), esses microrganismos devem ser fundamentalmente analisados como entidades biológicas em si, transformando-se em instrumentos para o fisiologista, o biofísico, o geneticista e o bioquímica, que os utilizam como temas adequados ao conhecimento de certos processos biológicos.

 

Rhizopus

Trata-se de bolores comuns do pão (figura 1), que causam muita decomposição de alimentos. Crescem em pães, vegetais, frutas e outros produtos de nutrição. A espécie mais comumente encontrada é o Rhizopus stolonifer (classe Zygomycetes, ordem Mucorales). Morfologicamente são fungos não-septados, com micélios cotonosos e formando esporangióforos nos nódulos onde se encontram os rizóides. Seus esporângios são, usualmente, muito grandes e negros e suas columelas são hemisféricas. A base do esporângio, ou apófise, tem a forma de taça. Esses bolores produzem agrupamentos de hastes semelhantes a raízes, denominados rizóides, assim como estolones ou "estolhos" (como os dos morangueiros), capazes de tomar "raiz" onde pode se originar um novo organismo. A figura 2 mostra o ciclo vital do Rhizopus stolonifer, o que ilustra o fato de que todos os fungos apresentam ciclos vitais. Pode ser observado que o Rhizopus stolonifer é heterotálico. A reprodução sexuada requer dois talos de tipos diferentes. Uma vez que os talos são morfologicamente indistinguiveis, são designados com os sinais + e -, em lugar dos adjectivos macho e fêmea. (Geralmente, entre os gametos morfologicamente diferentes, o maior é identificado como feminino e o menor como masculino. Do mesmo modo, um gameto que deixa a estrutura em que se forma e mais tarde se funde com um gameto relativamente imóvel é considerado como masculino.) Estando presentes os dois talos, as extremidades das hifas se diferenciam em progametângios, que entram em contacto e se desenvolvem em gametângios pela formação de septos. As paredes existentes entre os dois gametângios se dissolvem e seus protoplastos coalescem. Os núcleos de ambos os tipos acasalados se fundem em pares, dando origem a muitos núcleos zigotos. A estrutura que os contém é chamada de cenozigoto. A parede do cenozigoto logo se espessa, torna-se negra e rugosa, desenvolvendo o zigósporo. O estado de repouso do zigósporo dura 1 a 3 meses e, às vezes, mais. Na germinação ocorre a meiose; o zigósporo se abre, emergindo um único esporângio germinal em sua extremidade. Este é esporangióforo com um semelhante a um esporângio produzido assexuadamente. Alguns desses esporângios contêm esporos de um só tipo (ou + ou -), enquanto outros encerram esporos dos dois tipos, em números aproximadamente iguais.

 

Figura1

Figura 2

Rhizopus stolonifer, o bolor comum do pão. Este fungo forma hifas semelhantes a raízes (rizóides), hifas vegetativas que penetram no substrato e hifas férteis que produzem esporângios nas extremidades dos esporangióforos (hifas produtoras de esporos). Os estolones são filamentos que estabelecem conexão entre organismos individuais. (Cf. C. T Ingold. The Biology of Fungi. Londres, Hutchínson, 196 I.)

 

Esporulação

Desenvolvimento em esporângios, de pequenas células com parede resistente, capaz de suportar condições de secura - esporos(mitósporos por resultarem de mitoses). Endósporos são esporos que se formam dentro do esporângio; exósporos são esporos que se formam no exterior do esporângio.

Os fetos e o bolor do pão são exemplos de endósporos.

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Última Actualização: Julho 08, 1998